Foi um dia bem chato. Intediante e monótono. Não mais que algumas músicas e alguns capítulos. Acontece porque a alma acorda com vontade de não ter vontade. Aí você fica andando de um lado pro outro procurando alguma coisa. Um cigarro aqui, um ar ali. Daqui a pouco copo de chá seguido de outro café. Não tinha nignuém por perto pra bater um papo e mesmo se tivesse não haveria muito assunto. Minha cabeça estava meio sem conexões.
A televisão também não foi a salvação por mais de meia hora. Tentar recaptular aqueles acordes que estavam tocando esses dias, mas sabe que esse violão precisa é de cordas novas. Antes até parecia que ia chover só que até as nuvens ficaram sem vontade de pingar. Sem pessoas passando na rua e sem cachorros latindo pela vizinhança.
Trocando os discos, música vai, música vem e aí soa um ou outro relâmpago. Nada que mudasse o curso das coisas. O tempo teimando em passear com os ponteiros em vez de simplesmente passar. Se eu tivesse alguma árvore no gramado poderia sentar lá pra escrever um livro. Como não tenho árvores, não escrevo livros.
Um trago talvez criasse umas conexões, se tivesse alguém pra desenvolver as idéias.
Foi um dia morto, sem salvação, sem julgamento, sem intercessão. Que perda. Quantas grandes coisas foram feitas em dias vazios como esse. É, mas nesse nada.
segunda-feira, outubro 30, 2006
domingo, outubro 15, 2006
Só mais uns fluxos de pensamento

Ultimamete tenho conversado muito comigo. Já descobri várias coisas interessantes, mas ainda não cheguei na fórmula mágica pra desvendar os problemas - tem gente que acredita que não existe. Têm sempre aquelas vozes que ficam idealizando as coisas, mas do jeito que nunca acontece. O resultado são decepções. Mas daí elas voltam e dizem que dá pra reverter, que vão ter novas chances.
Assim, conforme elas vão ditando, o humor e as perspectivas vão mudando. Numa hora a vontade - não só a vontade - de esmagar o porta lápis aqui do lado, noutra um sorriso pensando que vai mesmo beber denovo daquela fonte. Daquela. Às vezes dá sim pra controlar isso. Forçar um sorriso ou colocar música que traz boas lembranças ajuda. Mas fatos concretos são uma necessidade.
Esses dias mandei elas calarem a boca. Estava convecido que eram pitonisas charlatãs que só consumiam meu tempo. Ia não planejar nada e agir só no impulso. Acabou que acabei sem ação, me encontrei confuso e hesitei. 'Droga, eu divia ter...'. É, droga. Mas agora já se foi. Elas riram da minha cara e me fizeram, denovo, perder tempo.
O melhor que eu faço é mesmo ouví-las, mas não me embriagar nas possibilidades. Prever os movimentos das peças com precisão não dá, mas pensar em como será a resposta pra cada jogada, isso sim, posso.
O melhor que eu faço é mesmo ouví-las, mas não me embriagar nas possibilidades. Prever os movimentos das peças com precisão não dá, mas pensar em como será a resposta pra cada jogada, isso sim, posso.
Pelo lado científico, me induzem a acreditar que todas as emoçoes, sentimentos e sensações são substânias produzidas no cérebro que ativam as regiões correspondentes. E tudo que você vê, ouve, cheira, bebe, come, fuma, toca, injeta, etc., faz a motor da máquina orgânica continuar funcinando com objetivo de morrer daqui a um tempo. Mas no fundo todo mundo sabe que são fantasmas, bruxos, demônios, monstros, pitonisas, padres, anjos e mais todo tipo de figuras que se ouve falar todos fundidos formando uma alma presa numa estrura cuidadosamente desenhada pra passar a impressão de quem se é. Não que realmente passe. E essa alma bsuca instintivamente saciar os desejos que surgem a toda hora.
Fazer todos eles entrarem em consenso é difícil, mas o conjunto é que faz a mente. E é esse conjunto sinuoso que torna as coisas assim excitantes.
Fazer todos eles entrarem em consenso é difícil, mas o conjunto é que faz a mente. E é esse conjunto sinuoso que torna as coisas assim excitantes.
quarta-feira, outubro 11, 2006
Dia de Lua Cheia
Lá do alto vi como eram felizes, vi tudo o que eu perdera por querer ser de ninguém. A lua estava diferente dos outros dias, estava mais perto, estava mais brilhante, estava diferente. Era ela quem me dizia que tudo iria valer a pena. Sentei na grama surrada da beira da estrada e comecei a rir. Não tinha achado graça em nada, apenas senti vontade de rir, e foi o que eu fiz. Talvez o riso fosse um mecanismo de defesa, fosse algo para me dar voz, algo que me dissesse "está tudo bem". O fato é que a minha vontade era de descer lá e voltar atrás. Pedir desculpas e dizer que voltei, que queria fazer parte do grupo mais uma vez, mas o orgulho me impedia. O orgulho que não me deixa voltar é o mesmo orgulho que me fez partir. Começou a chover, bem de leve, aquele tipo de chuva que faz as pessoas refletirem, aquelas chuvas que nos fazem querer mudar. Lá embaixo a chuva molhava a camisa velha e desbotada da mulher que um dia foi minha amada. O peso da água faz com que as roupas fiquem coladas, no caso dela, os seios moldados no tecido me faziam lembrar dos vários momentos de prazer que tivemos juntos. Diferente dos olhos; esses sim me faziam lembrar do amor. Do tempo em que transpirávamos paixão, do tempo de sonhos, dos mil planos, das juras de amor eterno. Acendi um cigarro, duas ou três tragadas e a chuva o estragou. Não podia mais evitar. Desci até as barracas e segurei o seu braço. Ela virou e me encarou por alguns instantes. Não sabia o que dizer, nem eu e nem ela. Não disse nada, apenas olhei fundo em seus olhos, e ela entendeu, também não falou nada. Como se tivéssemos voltado no tempo, estávamos nós de novo aos beijos e abraços, de baixo de chuva, com o mundo ao nosso lado. Fizemos amor a noite toda, dormimos juntos e abraçados. No dia seguinte pela manhã acordei cedo, saí sem fazer barulho, não queria acordá-la, assim poderia ficar alguns minutos alí vendo minha antiga paixão dormir. Voltei para o carro, liguei o rádio. Estava tocando Rolling Stones. Essa música sempre me causava arrepios, mas na ocasião me arrancou lágrimas. Dei a partida, agora não tinha mais volta, a estrada era a minha vida, e ainda restavam muitas delas pela frente. A poeira levantou uma nuvem, dirigi alguns metros sem ver nada, mas não me importava, fui embora com a certeza de que fiz o certo, enquanto a mesma melodia me dizia, you can't always get what you want.
quinta-feira, outubro 05, 2006
Procurando palavras
Três horas de omissão
Muito a ser dito
Mas nem ao menos um sussurro proferido
Música doce aos ouvidos
Tantas situações na mente
E nenhuma gota de vida na tela
As linhas brancas para o escritor
E a rocha bruta do escultor
Assim como o tempo em cada vivente
Logo as horas serão dias
Sussuros lamentos, música silêncio
Presente passado, futuro presente
Se as linhas apenas passarem a amareladas
A rocha não for delapidada
Não sei o que será do tempo
Não o perca contando os grãos da ampulheta
Muito menos empurrando-os de volta
Apenas ache as palavras certas para acabar com essa omissão
Muito a ser dito
Mas nem ao menos um sussurro proferido
Música doce aos ouvidos
Tantas situações na mente
E nenhuma gota de vida na tela
As linhas brancas para o escritor
E a rocha bruta do escultor
Assim como o tempo em cada vivente
Logo as horas serão dias
Sussuros lamentos, música silêncio
Presente passado, futuro presente
Se as linhas apenas passarem a amareladas
A rocha não for delapidada
Não sei o que será do tempo
Não o perca contando os grãos da ampulheta
Muito menos empurrando-os de volta
Apenas ache as palavras certas para acabar com essa omissão
quarta-feira, setembro 27, 2006
Crianças
Saiu a garotinha para mais um dia de aula. Deu um beijo em sua mãe pegou seu material e subiu no ônibus da escola. Não deu olá aos seus colegas, não tinha amigos. Os meninos da sua turma costumavam rir da sua cara, diziam que ela era feia. Chegaram no colégio, o sinal tocou e a turma toda foi para a sala. "A professora disse que todos são iguais, vagabunda mentirosa, se é assim porque é que não tenho amigos." Recebeu um bilhete, veio lá do fundão, leu o que havia lá escrito e disfarçou, não queria demonstrar fraqueza. Da última vez ela chorou, foi motivo de risos para a turma inteira, e ainda levou uma bronca da professora. Guardou bem fundo sua tristeza por muito tempo. Agora já não tinha mais tristeza, tinha ódio, tinha raiva de tudo e todos. Em seu último dia de aula chegou sorridente ao colégio, iam fazer amigo-secreto. Armaram a roda e começaram a entregar os presentes, quando chamaram seu nome um menino lhe entregou protetor solar, disse que era para ver se assim ela conseguia ficar um pouco mais branca. O abraço ela não recebeu, ninguém chegava muito perto, era como se ela tivesse alguma doença contagiosa. Foi então que abriu a lancheira e pegou uma faca, esfaqueou sem dó nem remorso o garoto que lhe entregou o protetor. 6 facadas na cabeça, o garoto espirrava sangue, a turma apavorada gritava, alguns corriam, outros não sabiam o que fazer. A professora foi chamar ajuda. A garotinha foi mandada para uma prisão, não era bem aquela que todos conhecem, mas era uma prisão. Há algumas semanas atrás foi encontrada cuspindo sangue em sua prisão. Os policiais viram a garota agonizando, chamaram um médico e foram fazer um lanche. Ao seu lado, no chão, havia um papel com suas últimas palavras. O papel ficou perdido no meio de todo aquele sangue, o corpo foi levado embora.
sábado, setembro 23, 2006
Inibição Cerebral
Nasci em berço de ouro, morri em ninho de vespa.
Quando é que você vai me jogar a corda?
Preciso de uma luz na escuridão da minha mente, do contrário não acho mais a saída.
Se quiser pode ir na frente, mas por favor não tranque a porta, e se mudar de idéia pinte o sol nas minhas nuvens e ponha nuvens no meu dia.
Quando é que você vai me jogar a corda?
Preciso de uma luz na escuridão da minha mente, do contrário não acho mais a saída.
Se quiser pode ir na frente, mas por favor não tranque a porta, e se mudar de idéia pinte o sol nas minhas nuvens e ponha nuvens no meu dia.
domingo, setembro 17, 2006
A hora das estrelas
O Céu, quando a gente precisa dele resolve ficar nubladoRealmente nenhum sinal de estrelas essa noite
E como sempre, não podia deixar de faltar as facas
Facas feitas de pequenas moléculas de oxigênio e nitrogênio em trânsito
Mas naquela altura e naquela hora, as facas estavam muito afiadas
Afiadas nem tanto a ponto de atrapalhar os planos do cardume, porém
A sólida estrutura de cimento e barro poderia proteger até o mais mísero inseto
Desde que fosse capaz de escalar a cordilheira de degraus
Todas luzes que não haviam no céu estavam espalhadas pelo chão
Não sei quem foi, mas a idéia de recolher e depois despejar ali foi ótima
E do mirante eu poderia reger como quisesse cada uma delas
Devem ter sido as facas que me fizeram enxergar tão bem
Cada fonte emanou sua luz própria e com meio olhar pudemos trocar diálogos
Eram tão agradáveis que não houve nenhuma dificuldade em estabelecer equilíbrio
E a Natureza instintiva e dinâmica acendeu o fogo dentro de cada faísca de vida
Assim que deveriam rolar os jogos, sem cartas e sem dados
Até os ponteiros pararam por alguns quartos de hora pra dançar
Os pombos só não fizeram o mesmo porque com tanta pressão não poderiam emergir
Encarar a vida acima da malha de estrelas não vai sair nunca da minha retina
Inalar o ar aquecido pelo atrito das pedras é tão mais confortável que nem tem graça voltar a respirar
Voltar a ser regido pelas leis da Física e atordoado pela mentalidade humana
É pena que esse mundo de sonhos volta pro lugar com tanta facilidade como veio
Talvez o único jeito de conhecer a realidade seja saindo dela
O homem só não conhece mais do universo porque não pode sair dele
Eu só não entendo minha mente porque não consigo sair dela
E é só por isso que a vida segue
quinta-feira, setembro 07, 2006
Reflexo de metáforas
Um minuto me encontro em queda livre e já em seguida cordas presas ao meu tornozelo me seguram. Rompendo-as tenho ainda o pára-quedas na parte de trás da cabeça. Tanto vento gélido na cara e uma visão tão ampla que perder tempo com vaidade ou qualquer outra futilidade seria pecado. Grande beleza a alguns palmos da ponta do nariz e uma anciosidade incotrolável para segurá-la com todas as forças que tiver. Uma garota na minha frente transpira um calor que eu não entendo porque vem em minha direção. Mergulho centenas de léguas dentro daqueles olhos castanhos e não vejo nem a sombra da minha imagem. Jogar algumas substâncias pra dentro é a única forma que encontro de não congelar todo meu sangue e me estilhaçar em mil pedaços nas parades do poço em que ela me atirou. Desviando desse olhar diabólico vejo uma fila de estátuas, bronze, mármore, gesso e barro, são as oportunidades que disperdicei ou evitei. Melhor ou pior eu não sei, teria sido diferente. Abrir mão do maldito queijo fedorento em troca de sair da gaiola e finalmente utilizar o não muito belo, mas funcional par de asas pra ir buscar alguma coisa que nem sei direito o que é, mas que brilha, e brilha pra mim é o melhor que posso fazer. Sobra uma esperança de que com as asas não vão ser necessárias cordas, pára-quedas ou quedas livres e que o demorado vôo sobre quanta água necessário for, pode ser bom. Afinal, pelo menos tenho algumas gaivotas com tanto senso de direção quanto eu que voam ao meu lado. terça-feira, setembro 05, 2006
Destino Manifesto
Era só mais um no meio de tantos
Trabalhava todo dia como podia
Sabia da vida o que aprendeu sozinho
E sozinho sabia qual seria sua vida
Sem prazer e sem dinheiro
Sem carteira e sem documento
Sem lenço para enxugar as lágrimas
Sem as lágrimas para devolver a terra sua dor
Num dos dias de dureza uma nave encontrou
Se perdeu naquilo tudo e nunca mais se encontrou
Acordou num ponto livre bem distante do daqui
E viveu dias melhores do que os que vivia aqui
Uma carta tentou enviar, para os outros informar
Das melhoras que obteve morando em seu novo lar
Nem mensagem nem recado
Nada conseguiu entregar
Mas se um dia lhe perguntassem,
"Nunca mais volto pra lá"
E seus dias entregou ao destino que conseguiu
E a viagem não teve volta, nem visita ele pediu
Porque por lá ele ensinou, porque por lá ele aprendeu
Que enquanto a vida permite, o rumo certo é o seu
Trabalhava todo dia como podia
Sabia da vida o que aprendeu sozinho
E sozinho sabia qual seria sua vida
Sem prazer e sem dinheiro
Sem carteira e sem documento
Sem lenço para enxugar as lágrimas
Sem as lágrimas para devolver a terra sua dor
Num dos dias de dureza uma nave encontrou
Se perdeu naquilo tudo e nunca mais se encontrou
Acordou num ponto livre bem distante do daqui
E viveu dias melhores do que os que vivia aqui
Uma carta tentou enviar, para os outros informar
Das melhoras que obteve morando em seu novo lar
Nem mensagem nem recado
Nada conseguiu entregar
Mas se um dia lhe perguntassem,
"Nunca mais volto pra lá"
E seus dias entregou ao destino que conseguiu
E a viagem não teve volta, nem visita ele pediu
Porque por lá ele ensinou, porque por lá ele aprendeu
Que enquanto a vida permite, o rumo certo é o seu
sábado, setembro 02, 2006
Carroll e seu mundo de maravilhas

Um lado vai fazê-la crescer e outro irá fazê-la diminuir, pergunte à Alice, quando ela tiver dois metros e meio de altura
E se você resolver seguir coelhos, você irá cair, e irá encontrar uma lagarta azul fumando marguilé que te dará um conselho, pergunte para Alice, quanto ela estiver com apenas oito centímetro de altura
E quando os homens do tabuleiro de xadrêz levantarem pra te dizer onde ir e você comer um cogumelo que altere a sua mente, pergunte para Alice, eu acho que ela vai saber
Quando a lógica e a proporção não existirem mais, o Cavaleiro Branco falar ao contrário e a Rainha de Copas "cortem-lhe a cabeça", se lembre do que o Leirão disse:
"Alimente sua mente"
adaptado de White Rabbit, do Jefferson Airplane
Alice no país das maravilhas (1865) não é uma obra rica por apresentar uma linguagem muito bem elaborada ou alguma importante moral, como diria a Duquesa. A começar pelo coelho branco apressado que leva a protagonista a entrar em Wonderland, passando pelos mais curiosos e incoerentes como o gato sorridente e a falsa tartaruga, que era uma tartaruga de verdade, cada personagem mostra uma peculiaridade que faz do livro obra prima do nonsense. A jovem, que estava entediada da forma com que as coisas aconteciam no mundo real se depara com uma realidade onde a lógica simplesmente inexiste. Lewis Carroll, matemático, lógico, fotógrafo, escritor e inglês, convida o leitor a refletir se é relamente necessário que as coisas façam algum sentido. Várias analogias e análises psicológicas podem ser feitas a partir da história, mas isso já vai da mente nubígena de cada um.Through the Looking Glass (1871) é uma continuação da aventura, mas ainda não achei uma versão traduzida. Se alguém tiver, me dê uma luz. Pelo que li, Alice atravessa o espelho e encontra um mundo onde tudo é invertido. A nova história se passa em um tabuleiro de xadrês, onde o objetivo da garota é chegar a última casa para tornar-se rainha.
Vale a pena conferir as ilustrações baseadas na obra. Destaque para as de Arthur Rackham e A. E. Jackson.
Versão traduzida de Alice no país das maravilhas: http://www.alfredo-braga.pro.br/biblioteca/alice.html
Versão em inglês de Alice no país das maravilhas e Através do espelho, e também versão comentada, conta com ilustrações originais de John Tenniel: http://www.sabian.org/alice.htm
Ilustrações: http://www.exit109.com/~dnn/alice
Interpretação um tanto medonha do capítulo 9: http://www.youtube.com/watch?v=TvcCY1dbWvs
E o vídeo mais decente que achei no youtube:
A propósito, alguém sabe por que um corvo se parece com uma escrivaninha?
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